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Lay by Kelzinha's Place



"A beleza de um jardim não depende
do tamanho das flores, mas da
variedade de seu colorido;
Assim, a felicidade não depende de
grandes alegrias, mas da
variedade de muiтos e pequenos
momentos felizes que
colhemos ao longo da vida."
(A.D)
A OUTRA ASA - CIDADE DOS ANJOS
Muito tempo atrás...depois do mundo
ser criado e da vida completá-lo...
Houve num dia, numa tarde de céu azul e calor
ameno, um encontro entre Deus e um de seus
incontáveis anjos. Acredita?
Deus estava sentado, calado. Sob a sombra de um pé
de jabuticaba. Lentamente, sem pecado, Deus
erguia suas mãos e colhia uma ou outra fruta.
Saboreava sua criação negra e adocicada. Fechava
os olhos e pensava. Permitia-se um sorriso piedoso.
Mantinha seu olhar complacente.
Foi então que das nuvens um de seus muitos
arcanjos desceu e veio em sua direção.
Já ouviu a voz de um anjo?
Ele tinha asas lindas....brancas, imaculadas.
Ajoelhou-se aos pés de Deus e falou:
"Senhor...visitei sua criação como pediu. Fui a todos
os cantos. Estive no sul, no norte. No leste e oeste.
Vi e fiz parte de todas as coisas. Observei cada uma
de suas criações humanas. E por ter visto vim ate
o senhor....para tentar entender. Por que?
Por que cada uma das pessoas sobre a terra tem
apenas uma asa? Nos anjos temos duas...podemos
ir até o amor que o senhor representa sempre que
desejarmos. Podemos voar para a liberdade sempre
que quisermos. Mas os humanos com sua única asa
não podem voar. Não podem voar com apenas uma asa..."
Deus na brandura dos gestos, respondeu pacientemente ao seu anjo:
"Sim... eu sei disso. Sei que fiz os humanos com apenas uma asa..."
Intrigado, com a consciência absoluta de seu senhor
o anjo queria entender e perguntou:
"Mas por que o senhor deu aos homens apenas uma asa
quando são necessárias duas asas para
se poder voar....para se poder ser livre?"
Conhecedor que era de todas as respostas Deus
não teve pressa para falar. Comeu outra jabuticaba,
escura e suave. E então respondeu:
"Eles podem voar sim meu anjo.
Dei aos humanos apenas uma asa para que
eles pudessem voar mais
e melhor que Eu ou vocês meus arcanjos....
Para voar, meu amigo, você precisa de suas duas asas...
Embora livre, sempre estará sozinho. Talvez
da mesma maneira que Eu... Mas os humanos...
os humanos com sua única asa precisarão sempre
dar as mãos para alguém a fim de terem suas duas asas.
Cada um deles tem na verdade um par de asas....
Uma outra asa em algum lugar do mundo que completa o par.
Assim eles aprenderão a se respeitar pois
ao quebrar a única asa de outra pessoa podem
estar acabando com as suas próprias chances de voar.
Assim meu anjo, eles aprenderão a amar
verdadeiramente outra pessoa...
Aprenderão que somente se permitindo amar
eles poderão voar.
Tocando a mão de outra pessoa em um abraço
correto e afetuoso eles poderão encontrar a asa que lhes falta...
e poderão finalmente voar.
Somente através do amor irão chegar até onde estou...
da mesma forma que você meu anjo.
E eles nunca....nunca estarão sozinhos quando forem voar."
Deus silenciou em seu sorriso.
O anjo compreendeu o que não precisava ser dito.
(A.D.)
O COBRADOR
Depois de um dia de caminhada pela mata,
mestre e discípulo retornavam ao casebre,
seguindo por uma longa estrada.
Ao passarem próximo a uma moita de samambaia,
ouviram um gemido.
Verificaram e descobriram, caído, um homem.
Estava pálido e com uma grande mancha de sangue,
próximo ao coração.
O homem tinha sido ferido e já estava
próximo da inconsciência.
Com muita dificuldade, mestre e discípulo carregaram o homem
para o casebre rústico, onde trataram do ferimento.
Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia
sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca.
Disse que conhecia seu agressor,
e que não descansaria enquanto não se vingasse.
Disposto a partir, o homem disse ao sábio:
- Senhor, muito lhe agradeço por ter salvo minha vida.
Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade.
Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que
ele sinta a mesma dor que senti.
O mestre olhou fixo para o homem e disse:
- Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que
você me deve três mil moedas de ouro,
como pagamento pelo tratamento que lhe fiz.
O homem ficou assustado e disse:
- Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e
não tenho como lhe pagar esse valor!
- Se não podes pagar pelo bem que recebestes,
com que direito queres cobrar o mal que lhe fizeram?
O homem ficou confuso e o mestre concluiu:
- Antes de cobrar alguma coisa,
procure saber quanto você deve.
(De Pia Steiner)